🌋 Explorando a Ilha Terceira
📅 10 de Fevereiro de 2023Há viagens em que a nossa incansável S-Max fica a descansar na garagem e o nosso inspetor felino laranja fica a tomar conta da casa. Desta vez, o gato teve excelente companhia: o nosso filho do meio decidiu ficar por Lisboa! Assim, após um pequeno voo de cerca de 3 horas, fomos apenas quatro (o Pai, a Mãe, o Mais Velho e a nossa escuteira) a aterrar na maravilhosa Ilha Terceira, nos Açores. A terceira ilha do arquipélago a ser descoberta prometia-nos reservas naturais de cortar a respiração, património e muita aventura.
Primeiras Paragens: Praia da Vitória e Porto Martins
O Pai, como nosso organizador nato, não quis perder um minuto de luz do dia. Alugámos um carro e rumámos à costa oriental. A primeira paragem foi no Miradouro do Facho, que nos ofereceu uma vista fantástica e alargada sobre a Praia da Vitória. A grande atração, especialmente para a nossa mais nova que tem sempre energia para gastar, foi encontrar o Baloiço da Praia, com o oceano como pano de fundo.
Dali, seguimos para as piscinas naturais de Porto Martins. A Mãe, sempre agarrada ao telemóvel para atualizar o nosso diário, não perdeu a oportunidade de registar o quadro vivo e maravilhoso de cores, com o contraste dramático entre as rochas vulcânicas escuras e o azul profundo do mar.
O Imprevisto no Monte Brasil (O Alívio do Filho do Meio)
Da parte da tarde, fomos até Angra do Heroísmo com o objetivo de subir ao afamado Monte Brasil. O plano do Pai era levar o carro o mais acima possível. No entanto, a ilha trocou-nos as voltas: a estrada estava cortada pois estava a ser feita uma intervenção de melhoramento dos acessos. A solução? Fazer o trilho do Monte Brasil a pé!
A nossa escuteira saltou logo de alegria, pronta para liderar a marcha. O nosso futuro piloto (o mais velho) suspirou, mas lá aceitou trocar a paixão pela aviação e pelo frio por uma valente caminhada em terra firme. Naquele momento, tivemos a certeza absoluta de que, em Lisboa, o nosso filho do meio estaria a rir-se de nós no sofá, feliz por ter aplicado a sua famosa "lei do menor espaço" e escapado a 7,4 km de subidas e descidas íngremes de terra batida e rocha!
A caminhada valeu cada gota de suor. O Monte Brasil é uma verdadeira obra-prima da natureza e um vulcão extinto. Pelo caminho, cruzámo-nos com uma enorme comunidade de gatos que por ali reside, o que nos fez logo ligar para casa para saber se o nosso felino da família estava a portar-se bem com o irmão do meio.
Ao longo do trilho fomos brindados com locais de contemplação paisagística de cortar o fôlego e uma vista fabulosa para a cidade de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial pela UNESCO. Conseguimos avistar o seu centro histórico, a Sé de Angra e o Castelo de São João Baptista, uma fortaleza filipina fantástica. Só tivemos pena que o nosso "historiador" estivesse no continente, porque de certeza que nos daria uma aula completa sobre o local para nos distrair do cansaço das pernas.
Terminámos este primeiro dia de imprevistos e superação na cidade, assistindo a um maravilhoso pôr do sol antes de irmos recuperar energias com uma merecida e deliciosa alcatra à moda da ilha!
O Segundo Dia: Furnas do Enxofre e a Panela a Ferver
O segundo dia começou cedo e com vontade de continuar a descobrir os verdadeiros tesouros geográficos e paisagísticos da ilha. Com o nosso filho do meio confortável no sofá em Lisboa a fazer companhia ao felino da família, fomos os quatro à aventura. O Pai assumiu novamente o volante do nosso carro alugado e rumámos ao centro da ilha, com a nossa escuteira pronta para mais exploração na natureza.
A primeira grande paragem foi nas Furnas do Enxofre, na freguesia do Posto Santo. Trata-se de um campo fumarólico — ou seja, uma área com saídas de gases vulcânicos que saem da terra a temperaturas elevadas, parecendo autênticos fumos de uma panela a ferver! É uma paisagem com um aspeto muito místico, embora menos intensa do que as que se encontram em São Miguel.
A nossa escuteira adorou o circuito de passadiços de madeira que permite percorrer a zona com toda a segurança. Sendo classificado como Monumento Natural Regional e de acesso gratuito, é um local fantástico para observar as fumarolas. Só tivemos pena que o nosso historiador não estivesse presente, porque de certeza que não ia gostar nada do cheiro a enxofre e teria sido uma excelente oportunidade para nos rirmos à custa dele!
Serra do Cume: Nevoeiro e Visibilidade Zero
De seguida, o Pai traçou a rota para subirmos à famosa Serra do Cume, em busca do seu icónico miradouro (aquela vista de postal com a "manta de retalhos" de campos verdes). Chegámos lá acima e... nada! O miradouro lá estava à nossa espera, mas o tempo decidiu não ajudar.
Apenas víamos um autêntico "muro" de nevoeiro denso, brindado com um vento incrivelmente frio. O nosso filho mais velho, a aplicar os seus conhecimentos meteorológicos de futuro piloto, declarou imediatamente "visibilidade zero, condições de voo apenas por instrumentos". Ainda tentámos a nossa sorte e voltámos lá uma segunda vez mais tarde, mas a montanha teimou em esconder-nos a vista.
Piscinas Naturais dos Biscoitos
Já que lá por cima o tempo estava pouco agradável para nós (e para a câmara do telemóvel da Mãe), voltámos a descer com destino à freguesia dos Biscoitos. Como o nome indica, fomos conhecer as Piscinas Naturais dos Biscoitos, umas impressionantes formações geológicas marítimas originadas por antigas erupções vulcânicas.
É uma zona balnear super atrativa e com ótimas infraestruturas. O contraste espetacular entre a cor escura e afiada da rocha vulcânica e o azul límpido do mar prendeu completamente a nossa atenção, dando à Mãe o cenário perfeito para tirar mais umas dezenas de fotografias para as redes sociais. Se estivéssemos em pleno verão, não teríamos hesitado em ir a banhos. Vale mesmo a pena a visita!