🦌 Renas na Terra dos Sami: A Magia do Ártico
📅 7 de Dezembro de 2021A Chegada e a Mistura de Línguas
Às 10h em ponto estávamos no ponto de encontro, de onde seguimos num autocarro de turismo acompanhados por dois guias. Ponto a favor: por mero acaso, um dos guias era espanhol! Isso facilitou imenso as coisas para o Pai (o L.) e para a nossa mini Bandeiras. A meio do dia, o cenário era engraçado: eles falavam em espanhol com o guia, eu falava em inglês, e gerou-se ali uma agradável e louca mistura linguística!
Chegados ao local, fomos recebidos por duas senhoras Sami vestidas a rigor com os seus lindos trajes tradicionais, que se apresentaram e nos deram um pequeno briefing de como seria a organização do dia.
Alimentar Renas e Passear de Trenó
Dividimo-nos em grupos e a nossa primeira atividade foi alimentar as renas. Foi um momento de pura diversão e aprendizagem! Entregaram a cada um de nós um pequeno balde com ração, que podíamos voltar a encher livremente. As renas andam à solta dentro do recinto, são animais extremamente meiguinhos, muito acostumados à presença humana, e vêm comer diretamente das nossas mãos.
Os guias acompanharam-nos sempre, esclarecendo todas as nossas dúvidas. Ficámos a saber, por exemplo, que algumas renas já não tinham hastes porque estas caem naturalmente todos os anos antes do inverno. E as que ainda tinham hastes? Eram as fêmeas grávidas, que as mantêm para poderem proteger as suas crias!
Depois da alimentação, chegou o tão esperado passeio de trenó puxado por renas. Sentámo-nos nos típicos trenós de madeira, cobertos por peles de animais, e passeámos aconchegados debaixo de uma mantinha. Parecia literalmente que estávamos dentro de um filme de Natal!
🍲 O Famoso Bidos (Estufado de Rena)
Após o frio da rua, fomos convidados para almoçar e serviram-nos um tradicional estufado de rena chamado Bidos. Este é o prato habitualmente utilizado pelo povo Sami em grandes celebrações, como casamentos (que podem ter desde 500 a 3000 convidados!).
O estufado faz lembrar a nossa tradicional jardineira. A carne é incrivelmente macia e saborosa — o paladar aproxima-se de uma mistura entre a vitela e o borrego. Os três devorámos tudo e ficámos super satisfeitos! Para acompanhar, não faltaram bebidas quentes, chá, café e deliciosos biscoitos com pepitas de chocolate (que, aliás, estiveram sempre à disposição nas tendas durante toda a manhã).
Cultura Sami, Yoik e Laços
Após a refeição, seguiu-se o momento cultural. Explicaram-nos a distribuição do povo Sami pelo norte da Europa e as diferenças entre as suas línguas (existem 10 tipos diferentes, sendo que as do norte e do sul podem ser completamente distintas). Soubemos que a língua Sami é ensinada em duas escolas, que têm as suas próprias rádios, jornais, e até 50 minutos de emissão televisiva diária.
Tivemos também a oportunidade de ver as diferenças entre os trajes tradicionais mais antigos e os mais atuais, e percebemos a dinâmica da transumância das renas: no verão vão para as florestas, e no inverno são recolhidas nos recintos para serem alimentadas e protegidas dos predadores (cuja população tem vindo a aumentar, diminuindo significativamente o número de renas locais).
Fomos ainda brindados com um momento musical maravilhoso e intimista. Ouvimos o Yoik, o canto tradicional do povo Sami, que não tem registos escritos e é passado exclusivamente de geração em geração (por respeito à tradição, foi-nos pedido para não filmar este momento).
Para fechar a experiência em beleza, enquanto saíamos do almoço, fomos aprender a lançar o laço para apanhar renas. A nossa escuteira esteve a praticar afincadamente e, mostrando que o treino do agrupamento dá frutos, conseguiu acertar duas vezes!
A atividade teve uma duração de cerca de 4 horas e foi criadora de memórias incríveis que levaremos para sempre connosco.