🚢 A Magia de Bari e o Embarque Noturno
📅 19 de Junho de 2025Depois da autêntica maratona romana, a chegada a Bari revelou-se o nosso verdadeiro oásis. A brisa fresca do mar Adriático curou quase instantaneamente o cansaço acumulado. Bari é a vibrante capital da região da Apúlia (Puglia) e percebemos logo à chegada que é uma cidade que vive com duas almas completamente distintas: a antiga e a moderna.
Entre o Traçado de Murat e a Cidade Velha
Saídos da estação, a nossa primeira impressão foi a do Bairro Murat (a cidade moderna). Esta zona foi desenhada no início do século XIX por Joachim Murat, cunhado de Napoleão, e nota-se perfeitamente o seu planeamento: ruas largas, retilíneas, numa grelha elegante cheia de vida comercial.
Mas o nosso objetivo era cruzar o Corso Vittorio Emanuele e mergulhar em Bari Vecchia, o coração histórico da cidade. Situada num promontório que avança sobre o mar, a cidade velha é um labirinto denso e fascinante de ruas estreitas e pátios. A nossa filha ficou encantada com o ritmo tradicional que ali se vive: é frequente passarmos e vermos as mulheres locais sentadas à porta de casa a fazer a massa típica, as orecchiette (pequenas orelhas), totalmente à mão! Custa a acreditar que esta área, hoje tão cheia de vida noturna e turística, outrora fosse considerada perigosa.
🍕 Focaccia Barese e Inveja no WhatsApp
Rendemo-nos aos sabores do sul (a gastronomia de Bari é um ponto fortíssimo) e devorámos uma autêntica Focaccia Barese — maravilhosamente macia e coberta com tomates cereja e azeitonas. Fizemos questão absoluta de mandar uma foto suculenta para o grupo da família, só para meter inveja pura e dura aos rapazes que ficaram em Portugal com a nobre missão de tomar conta do gato!
A Marginal e a Despedida de Itália
Com o estômago reconfortado, caminhámos pela deslumbrante Lungomare (a orla marítima), que é uma das mais longas de Itália, e ainda passámos perto da imponente Basilica di San Nicola. É incrível pensar que em 1087, marinheiros de Bari roubaram as relíquias do santo (a figura que deu origem ao Pai Natal) da Turquia e as trouxeram para ali, transformando a cidade num enorme centro de peregrinação.
Ao cair da noite, chegou o momento alto para a nossa escuteira aventureira: o embarque no gigantesco ferry noturno com rumo a Durrës, na Albânia. Como não tínhamos o nosso felino de serviço para inspecionar os cantos à cabine, fomos nós que avaliámos cuidadosamente os pequenos beliches antes de subirmos ao convés. Fomos ver o barco zarpar sob as estrelas, deixando o Adriático italiano para trás.