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Rodas, Patas e Malas

O respeito pela Montanha do Pico, a costa de lava negra e o mistério da Furna do Frei Matias.

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Capa da viagem

⛈️ Tempestades, Grutas e a Maior Reta de Portugal

📅 6 de Agosto de 2026

Se achávamos que o clima dos Açores era pacífico, a natureza fez questão de nos dar uma valente lição de humildade. A nossa primeira noite no Pico foi marcada por uma tempestade absolutamente épica! O vento uivava contra as janelas com uma força demolidora e a chuva caía tão intensamente que por momentos achámos que o próprio Atlântico ia engolir o nosso alojamento. Sobrevivemos (com algumas olheiras), mas a ilha amanheceu lavada e pronta para ser explorada.

O Regresso Falhado à Terra e a Montanha

O primeiro objetivo da manhã era visitar as famosas Grutas da Torre, o maior tubo lávico de Portugal. Quando lá chegámos, deparámo-nos com a dura realidade do planeamento turístico: as visitas têm de ser obrigatoriamente marcadas com antecedência e não havia uma única vaga! Para não perdermos a oportunidade, deixámos logo a visita agendada para o dia seguinte às 15h30.

Sem stress, mudámos os planos e fomos explorar a Furna do Frei Matias, uma impressionante formação vulcânica perdida no meio de pastos verdejantes que parece a entrada para o centro da Terra. Dali, conduzimos até à Casa da Montanha (a base de apoio a cerca de 1200 metros de altitude onde se inicia a subida ao ponto mais alto de Portugal). Olhámos para o topo do vulcão a rasgar as nuvens, olhámos uns para os outros, engolimos em seco e... decidimos que fomos lá para visitar! A coragem e as pernas para uma escalada daquelas ficaram esquecidas em Lisboa.

🛣️ A Reta Interminável

Um dos grandes momentos da condução foi atravessar a famosa "Reta do Eixo Transversal" (EN3). É conhecida por ser a maior reta de Portugal, rasgando o planalto central da ilha ao longo de quilómetros infinitos de asfalto, ladeada por verde e com o imponente vulcão do Pico sempre a vigiar-nos no retrovisor. É uma paisagem de cortar a respiração!

Lapas, Piscinas e Arquitetura

Descemos novamente em direção à costa para a zona de São Roque do Pico, onde visitámos a belíssima Ponta Rasa. Ao longo do caminho, o contraste da pedra basáltica com o azul do mar presenteou-nos com inúmeras e convidativas piscinas naturais. Aproveitámos esta fabulosa rota costeira para fazer aquilo que a nossa família faz de melhor: forrar o estômago com umas irresistíveis e fartas lapas grelhadas com alho e manteiga, um clássico que não perdoamos quando vimos aos Açores.

O roteiro da tarde levou-nos ainda à paisagem protegida da cultura da vinha no Lajido (Património da Humanidade). Já ao final do dia, passámos no icónico Cella Bar — um edifício incrível que mistura basalto antigo com uma estrutura de madeira ondulada que lembra um barril ou uma baleia — e terminámos a nossa odisseia de regresso à vila da Madalena.

⚜️ E a Escuteira?

É importante referir que tudo isto foi feito com o nosso grupo reduzido a três (Pai, Mãe e Filho Mais Velho). Enquanto nós andávamos a passear de carro, a fugir à chuva da noite anterior e a enfardar lapas nas piscinas naturais, a nossa valente escuteira estava acampada noutra ponta da ilha, rija e firme, a realizar as suas duras atividades com o agrupamento. O espírito de sacrifício ficou todo para ela!

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