🍷 Lagoas, Lava e o Brinde ao Pôr do Sol
📅 7 de Agosto de 2026Com a tempestade da noite anterior já reduzida a uma memória (e o nosso alojamento ainda inteiro), o terceiro dia da nossa invasão açoriana pedia altitude. Deixámos a costa e subimos até à deslumbrante Lagoa do Capitão, rodeada por vegetação endémica e vacas que nos olhavam com aquela típica serenidade insular.
A Rota das Lagoas e a Areia Rara
Aproveitando o planalto central da ilha, fizemos a espetacular Rota das Lagoas. Passámos pela Lagoa do Caiado e pela Lagoa da Rosada. Esta zona do Pico é um verdadeiro santuário ecológico. As lagoas repousam em antigas crateras vulcânicas e, quando o nevoeiro característico desce sobre elas, a paisagem ganha uma aura mística e digna de um filme de fantasia.
Depois de muito ziguezaguear pelo verde, a estrada devolveu-nos à costa, saindo diretamente no Miradouro da Terra Alta. A vista vertiginosa sobre o oceano e a ilha vizinha de São Jorge é de cair o queixo! Com o estômago a dar horas, fomos almoçar à Praia do Canto da Areia. O nome não engana: é praticamente o único local da ilha onde podem encontrar areia (com um tom avermelhado e escuro) em vez do habitual calhau de basalto duro. Para fazer a digestão antes da grande aventura da tarde, ainda fomos respirar o ar puro e passear por entre o verde denso do Parque Florestal da Prainha.
🔦 Viagem ao Centro da Terra
Lembra-se da nossa tentativa falhada do dia anterior? Desta vez, chegámos à Gruta das Torres pontualmente para a nossa marcação das 15h30. Equipados com capacetes e lanternas, mergulhámos no maior tubo lávico de Portugal (com mais de 5 km de extensão!). O nosso filho mais velho ia fascinado. A gruta não tem qualquer iluminação artificial; caminhámos na escuridão absoluta, iluminando estalactites e estalagmites feitas de lava arrefecida há cerca de 1500 anos. É uma experiência claustrofóbica, mas absolutamente genial!
Currais, Moinhos e o Néctar dos Czares
De volta à superfície e à luz do dia, fomos visitar o fotogénico Moinho do Frade, com o seu topo vermelho vibrante a contrastar com o negro da pedra. O moinho está rodeado pelas famosas vinhas do Pico, classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.
As vinhas não crescem em latadas tradicionais. Para as proteger do vento agreste e do salitre do mar, os locais construíram ao longo de séculos um labirinto infinito de muros de pedra basáltica negra, chamados "currais". Durante o dia, a pedra preta absorve o calor do sol e, à noite, liberta-o para aquecer as uvas. Foi deste solo duro que saiu o famoso vinho Verdelho do Pico, tão excecional que até os Czares da Rússia o mandavam importar para os seus banquetes!
🌅 O Pôr do Sol Perfeito
Para fechar o dia com chave de ouro, fomos jantar à Lage das Rosas. A fórmula do sucesso açoriano repetiu-se: travessas a fumegar cheias de lapas grelhadas, devoradas enquanto brindávamos com um copo desse mesmo vinho branco do Pico. À nossa frente, o sol despedia-se lentamente, escondendo-se atrás da silhueta da ilha do Faial.
Enquanto desfrutávamos deste luxo, lembrámo-nos da nossa filha escuteira, algures noutra ponta da ilha a comer comida de tacho e a dormir no chão duro. E, claro, a milhares de quilómetros dali, o nosso felino devia estar a exigir o seu próprio jantar de luxo aos amigos do filho do meio!