🗺️ Etapa 4: O Coração de Portugal
📅 30 Julho 2020A partida fez-se de onde tínhamos ficado em Góis. Acomodámos a tripulação na S-Max e a nossa primeira paragem foi num miradouro de onde pudemos ver, ao Km 300, a vila de Álvares. Terra de uma amiga de infância, transmite uma serenidade imensa, onde apenas se ouviam as vozes distantes de crianças a brincar na praia fluvial.
Seguimos caminho pela mítica estrada nacional, atravessando aldeias e vilas de maiores ou menores dimensões como Pedrógão Grande, Cumeada e Bemposta. Passámos por aquelas famosas placas toponímicas da EN2 que soltam sempre uma gargalhada no carro — especialmente às crianças, mas admitimos que os adultos também não resistem à brincadeira!
O Cabril e a Chegada à Sertã
A passagem seguinte foi feita pela barragem e albufeira do Cabril. O acesso à praia estava bem concorrido, contando com uma zona delimitada de piscina vigiada — precisamente aquilo que este calor pede. Cá em cima, descobrimos um cafezito simpático onde nos sentámos ao fresco a admirar a transição das paisagens do verde para a água.
A grande paragem seguinte foi na Sertã. Por lá, almoçámos no restaurante Ponte Romana, O Delfim. Ficámos nas mesas exteriores com vista para a Ponte Filipina e toda a área verde envolvente. A Sertã é uma região com história e muitos pontos de visita, que vale muito a pena explorar com calma.
Começámos por carimbar o passaporte na loja de artesanato, onde o senhor que lá estava nos fez uma apresentação fantástica e nos cativou o interesse para explorar a vila. Passámos pela Fonte da Boneca (que durante muitos anos foi o único local de fornecimento de água local), pela Ponte Filipina (também conhecida por Ponte da Carvalha, construída para substituir a antiga ponte romana) e pelo tranquilo parque verde. No jardim existe ainda o Lagar da Vara, que só abre em dias de festa local.
🍳 A Lenda de Celinda e o Castelo
Fomos até ao Castelo da Sertã, de onde deriva o nome da Vila. O castelo (que tem cinco quinas, algo pouco usual para a época) tem a sua origem na Lenda de Celinda. Reza a lenda que o castelo foi edificado em 74 a.C. pelo general romano Quinto Sertório.
Durante um ataque romano, o chefe do castelo faleceu. Celinda, a sua esposa, ao receber a infausta notícia enquanto fritava ovos numa sertage (uma frigideira quadrada), não hesitou. Sabendo da aproximação dos inimigos, subiu às ameias com este utensílio cheio de azeite fervente e despejou-o sobre os atacantes para vingar o marido e defender as muralhas!
A sua bravura obrigou os romanos a recuar, e em memória de tão inaudita façanha, deu-se o nome de "Sertã" à vila.
O Centro Geodésico e os Banhos no Penedo Furado
Com a lição de história estudada (e confirmada pela nossa escuteira residente), seguimos viagem até Vila de Rei, onde visitámos o Centro Geodésico de Portugal. As paisagens a partir do Picoto da Melriça são infinitas. No museu da geodesia tivemos a oportunidade de carimbar o passaporte, aprender para que serve esta ciência e, para gáudio dos minis Bandeiras, trazer um diploma oficial de visita ao centro exato do país.
Ainda em Vila de Rei, parámos no miradouro e na Praia Fluvial do Penedo Furado. Era finalmente hora de ir a banhos para refrescar! Segundo a avaliação rigorosa dos mais novos, foi mesmo espetacular. Água fresca e peixinhos a nadar connosco... quem alinha num mergulho?
A última paragem do dia fez-se em Abrantes, de forma breve, para desfrutar de um descanso. Atravessámos o Tejo para ir até ao Parque Tejo, onde carimbámos o passaporte junto a um marco quilométrico gigante e alusivo aos 75 anos da EN2. Com o cansaço a bater à porta e o gato já a ressonar há vários quilómetros, fomos em direção a Ponte de Sor, o nosso porto de abrigo para a pernoita e que ficará para visitar na manhã seguinte.